Resistência Antimicrobiana (RAM) – Uma Preocupação Cada vez Maior

21 Novembro 2022

Para combater essa ameaça, precisamos adoptar cautela

Os antimicrobianos, antibióticos, antivirais, antifúngicos e antiparasitários são medicamentos utilizados para prevenir e tratar infecções nos seres humanos, animais e plantas.

A resistência antimicrobiana ocorre quando bactérias, vírus, fungos e parasitas desenvolvem a capacidade de escapar desses medicamentos e, ao invés de serem mortos, continuam a crescer. Alguns tratamentos tornaram-se menos, ou quase totalmente ineficazes, aumentando o risco de propagação da doença, doença grave e até a morte.

Muitas décadas após os primeiros antibióticos terem começado a salvar vidas, as infecções bacterianas tornaram-se, uma vez mais, uma ameaça iminente.

Porquê é que isso está a acontecer?

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o problema tem várias causas:

• O uso indevido e excessivo de medicamentos antimicrobianos como antibióticos, é, no entanto, a principal preocupação.
• O uso excessivo não se limita à prescrição excessiva, dosagem ou escolha incorrecta de medicamentos na área médica, mas também o uso de muitos antimicróbicos como tratamentos preventivos e suplementos de crescimento na agricultura.
• Acesso inadequado à água potável, saneamento e práticas de higiene inadequadas em relação aos seres humanos e ao gado.
• Má prevenção de doenças e falta de acesso a consultas e tratamentos médicos adequados.
• Falta de consciencialização pública sobre o uso seguro e eficaz de medicamentos como antibióticos, e falta de mecanismos de controlo de medicamentos, como protocolos ou legislações de segurança aplicadas.

A quantidade de recursos gastos no desenvolvimento de novos medicamentos farmacêuticos é inadequada. Cortes de financiamento e obstáculos de carácter regulamentar fizeram com que quinze dos dezoito maiores produtores farmacêuticos abandonassem as actividades nesse campo.

Se um tratamento falhar, porquê não usar um outro?

• Infecções resistentes a antimicrobianos que exigem o uso de tratamentos medicamentosos de segundo e até de terceiro curso podem ser perigosas e prejudiciais para os pacientes. Efeitos colaterais graves como danos nos órgãos ou falência completa dos órgãos, são uma grande preocupação. Os períodos de atendimento e recuperação também são consideravelmente longos, às vezes por meses, criando uma imensa sobrecarrega nos recursos do paciente e no sistema de saúde.
• Muitos procedimentos cirúrgicos e tratamentos médicos que salvam vidas, como substituição de articulações, transplante de órgãos, terapia contra o cancro e o tratamento de doenças crónicas como diabete, asma e artrite reumatóide, dependem completamente de antibióticos eficazes no combate a infecções.
• Nalguns casos, não há outros medicamentos disponíveis para tratar uma infecção específica.

Quando esses medicamentos perdem a sua eficácia, perdemos a capacidade de controlar uma série de ameaças à saúde pública. Podemos apenas tentar tratar os sintomas.

Então o que posso fazer?

Certamente você já notou os adesivos coloridos que seu farmacêutico adiciona a cada caixa de antibióticos. Eles te informam para ‘Terminar o curso’, e as instruções não são apenas para o seu benefício. Cursos de antibióticos incompletos podem fazer com que as infecções persistam e a doença retorne, mesmo que os seus sintomas tenham diminuído ou desaparecido, e essa é uma das principais causas do desenvolvimento de infecções resistentes a antibióticos.

Evite a automedicação e tome antibióticos apenas se o seu médico considerar absolutamente necessário. Siga as instruções de dosagem e não compartilhe medicamentos.

A prevenção é fundamental. Evite infecções através da lavagem diligente das mãos, evite contacto próximo desnecessário com pessoas doentes, e mantenha suas vacinas em dia. Use métodos de protecção de barreira sempre para se proteger da contracção de ITS’s.

Um Problema Globala

A resistência antimicrobiana foi alistada pela Organização Mundial da Saúde como uma das 10 principais ameaças globais à saúde pública. Em 2019, esteve associada a quase cinco milhões de mortes em todo o mundo, e o número de infecções resistentes a antimicrobianos registadas a cada ano está a aumentar.

Consciencialização e Envolvimento Global

Na Assembleia Mundial de Saúde da Organização Mundial da Saúde em 2015, os países se comprometeram com um “Plano de Acção Global” para garantir um progresso sustentável e coordenado no combate à RAM em todos os seus sectores nacionais.

A Semana Mundial de Consciencialização Antimicrobiana (WAAW), que foi implementada no mesmo ano, com vista a elevar a consciência sobre a resistência antimicrobiana em todo o mundo, e educar sobre as melhores práticas entre o público em geral e os profissionais de saúde. Também visa incentivar os criadores de políticas a retardar o desenvolvimento e a propagação de infecções resistentes a medicamentos através da adopção de mecanismos de controlo e novas legislações.

A WAAW decorre de 18 a 24 de Novembro e seu lema permanece o mesmo desde 2020: “Antimicrobianos: Manuseie com Cuidado”.